Os benefícios do dólar em baixa
Fonte: http://blogs.diariodepernambuco.com.br/economia/?p=10232
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Cada um tem o dólar que merece. O do brasileiro ultimamente tem ficado bem baixinho. O governo adotou medidas para frear o derretimento da moeda norte-americana, que até ensaiou uma recuperação nos últimos dias. Mas o fato é que a hora ainda é muito boa para quem quer passear no exterior, fazer um intercâmbio, comprar um eletrônico. Até a ceia de Natal deve ficar mais em conta no fim do ano. Dá até para sonhar com um espumante francês no lugar da velha sidra.
O economista Marcelo Barros, professor da Faculdade Boa Viagem (FBV) e ex-secretário de finanças do Recife, lembra que o dólar está derretendo no mundo inteiro. “Para quem pretende viajar para o exterior no curto ou médio prazo é um ótimo momento. Quem fecha a passagem tem a taxa de câmbio de agora e ainda pode financiar em cinco, seis vezes.” Comprar o dólar em espécie para usar na viagem (e comprar perfumes ou eletrônicos lá fora) também é vantagem.
Fátima Bezerra, da WM Tours, confirma que as pessoas estão viajando mais e trocando os destinos nacionais pelos internacionais. Quem antes pretendia ir para Gramado hoje vai para Nova York. Ou troca o cruzeiro pela costa brasileira por outro pelo Caribe. E há pessoas de todas as idades que estão aproveitando para fazer intercâmbio. Segundo Fátima Bezerra, um mês de curso nos States, com hospedagem em casa de família, sai a partir de US$ 1,6 mil. A passagem é por fora.
“O dólar em baixa é ruim para as empresas nacionais que exportam. Mas para o consumidor final é sempre muito bom. Os produtos importados ficam mais baratos. Comprar lá fora também é vantagem”, reforça o professor Caio Peppe, coordenador do curso de comércio exterior da Faculdade dos Guararapes. Com o aumento do Imposto sobre Importações (IOF), as compras no cartão de crédito ficaram mais caras. Mas não custa lembrar que a cotação usada é do dólar comercial.
Mesmo com as últimas ações tomadas pelo governo e a quase-que-não-sai-mas-saiu aprovação da elevação do teto da dívida dos Estados Unidos, Caio Peppe não acredita em uma elevação repentina da moeda norte-americana. “Eles (os norte-americanos) vão emitir mais dólares, os investidores vão buscar mercados alternativos, como o Brasil. E vamos continuar recebendo uma enxurrada de dólares de fora”, afirma o professor.
Problemas
Mas nem tudo é festa. Comprar dólar para guardar embaixo do colchão (ou nas cuecas da vida) não tem nada de bom, lembra Marcelo Barros. “Dólar como investimento não é recomendável agora. Quando você compra para investir, você quer vender mais tarde. Mas nada indica que vai subir e voltar ao que era no ano passado, por exemplo”, afirma o economista. O mesmo vale, segundo ele, para os fundos cambiais (atrelados ao dólar).
“Se pegar o histórico só tem fechado negativo. Não é um bom investimento. Talvez a pessoa não perca dinheiro, mas também não ganha”, reforça Barros. Até para quem quer viajar, mas ainda não tem ideia de quando, o economista recomenda que a melhor opção é aplicar o dinheiro em fundos atrelados à Selic (taxa básica de juros, que está nas alturas). Outra alternativa é tesouro direto. Colchão, jamais.
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
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