quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Comério Exterior em Alta!!!! Parte 1

Conexão de modais é o futuro
Jornal do Comércio
11/08/2011


LOGÍSTICA Para ser competitivo, Pernambuco precisa investir na integração dos transportes fluvial, marítimo, rodoviário e ferroviário
Gilvan Oliveira
goliveira@jc.com.br

A vocação de Pernambuco como centro de logística não é nova. Remonta aos tempos da invasão holandesa, no século 16. Com a estruturação do Porto de Suape, essa vocação se tornou ainda mais evidente. Mas apenas a localização estratégica e um porto estruturado para transbordo de grandes embarcações já não é mais suficiente para atender às demandas da nova economia do Estado. E quem vive a logística no dia a dia aponta o principal desafio para o Estado não perder competitividade neste setor nos próximos 25 anos: estruturar e articular o transporte multimodal. Em outras palavras, criar a infraestrutura necessária para que os transportes marítimo, fluvial, rodoviário e ferroviário se comuniquem, funcionem de forma coordenada, um complementando o outro, e não de maneira independente. “A integração do transporte multimodal no Estado pode gerar uma economia de custo e de tempo de até 30% para quem escoa seus produtos", avalia o presidente do Tecon Suape, Sérgio Kano.

A conexão entre modais se torna imperiosa com o avanço na construção da ferrovia Transnordestina, que ligará Eliseu Martins, no Centro-Sul do Piauí, aos portos de Suape e Pecém (CE) através de dois ramais. Ela seria a espinha dorsal da logística no Estado, mas os benefícios dela só seriam otimizados com uma rede de estações de transbordo em pontos-chave ao longo de seu trajeto, com a interligação com outros modais de transporte. “Se não houver esses pontos, Pernambuco vai servir apenas de passagem de produtos até o porto. A valorização do multimodal também servirá para quebrar um pouco a dependência excessiva do transporte rodoviário", explica o conselheiro do Grupo de Estudos de Logística em Pernambuco (Gelpe), o consultor Marcílio Cunha.

ÁSIA

Um exemplo de que a necessidade de se trabalhar o multimodal é iminente pôde ser observada na semana passada. Na última sexta-feira (dia 5), o Tecon Suape anunciou a primeira linha de navegação entre a Ásia e o porto pernambucano, operado pela Hamburg Süd-Aliança. Segundo o gerente da transportadora marítima para o Nordeste, Norbert Bergmann, um dos objetivos desta nova linha, além de trazer produtos industrializados ao Nordeste, é transportar para o Japão através de Suape toneladas de pluma e linter (fibra) de algodão produzidos no Oeste da Bahia. Mas, para tanto, seria necessário uma interligação eficiente entre os modais fluvial, rodoviário e ferroviário antes do material chegar ao porto.

O produto, projeta ele, seria levado em barcaças pelo Rio São Francisco a partir de Ibotirama, no Centro-oeste da Bahia, até o Porto Fluvial de Petrolina, onde seria colocado em contêineres e despachado junto à alfândega. De Petrolina, ele seguiria em caminhões para Salgueiro, para um terminal de transbordo da Transnordestina que está sendo projetado. E daí finalmente ele chegaria pelos trilhos ao Porto de Suape, para seguir de navio viagem ao Japão. Enquanto a ferrovia não estiver pronta, o transporte entre Petrolina e Suape seria de caminhão. A pluma e o linter do algodão do Oeste baiano são escoados hoje via Porto de Santos (SP).

Norbert Bergmann diz que, apesar de toda a complexidade da operação, haveria economia em custos e tempo utilizando Suape. “Mas é preciso que essa cadeia funcione de forma eficiente", adverte ele. O Porto de Petrolina existe, mas só formalmente – na prática ele está praticamente inativo. E a implantação da estação de transbordo em Salgueiro está em fase de estudos.

O consultor Marcílio Cunha explica que conexão multimodal é uma etapa natural na busca por mais eficiência no setor de logística. Ele chama atenção para a importância de uma boa estruturação das estações de transbordo da Transnordestina para a conexão com o transporte rodoviário.

Duas estações estão previstas em Pernambuco: uma em Salgueiro (Sertão) e outra no Cabo de Santo Agostinho (Região Metropolitana). “Salgueiro, por exemplo, deve se consolidar como um centro distribuidor de produtos para o Sertão não só de Pernambuco, mas também da Paraíba, do Ceará, do Rio Grande do Norte. Também será de grande importância para o transporte de produtos como o gesso do Sertão do Araripe. Mas ele só se consolida como tal se bem estruturado”, avalia.

RODOVIAS

Mesmo a conexão multimodal seja um caminho sem volta, o transporte rodoviário ainda vai representar uma parcela significativa para o setor de logística nos próximos anos, caso o Estado pretenda se manter competitivo. O ritmo de investimentos em melhoria de estradas, porém, precisa acompanhar o crescimento da economia, o que não acontece. A saída, segundo empresários, seria privatizar rodovias, ao menos às que receberão um maior fluxo de veículos de carga. “Vivemos um momento de muita liquidez, com muita gente interessada em investir nesse setor", afirma Kano.

Nenhum comentário: